Eletromicrografia de um casal (macho e f

Nossos modelos de estudo

Schistosoma mansoni

O Schistosoma mansoni é um dos parasitas causadores da esquistossomose; este organismo pertencente ao filo dos Platelmintos, a classe Trematoda, sub classe Digenea e família Schistosomatidae. Os trematódeos do gênero Schistosoma distinguem-se dos outros Digenea por apresentarem dimorfismo sexual.

         Os vermes adultos machos e fêmeas vivem no interior dos vasos sanguíneos de mamíferos e possuem diferenças morfológicas bem marcantes. O macho de S. mansoni mede cerca de 1 cm de comprimento por 0,11 cm de largura e sua cor é branca. A fêmea tem o corpo cilíndrico, mais longo e mais fino que o macho parece mais escura e acinzentada devido conter em seu tubo digestivo um pigmento derivado da digestão da hemoglobina presente no sangue, a hemozoína .    Os vermes adultos vivem pareados na luz dos vasos sanguíneos do homem e dos outros mamíferos, habitando preferencialmente as vênulas do plexo hemorroidário superior e as ramificações mais finas das veias mesentéricas. Neste local, a fêmea inicia a postura dos ovos. A fêmea é capaz de produzir de 300 a 3000 ovos por dia.

 

Ciclo Biológico

Dois hospedeiros, seis estágios de desenvolvimento!

 O S. mansoni é um parasita que requer dois hospedeiros para completar sua evolução: um molusco aquático (do gênero Biomphalaria) e um vertebrado (homem e outros mamíferos). Tipicamente o parasita passa por seis estádios, cindo larvários: ovo, posto pelas fêmeas nas veias mesentéricas, atravessa a parede dos vasos e a mucosa intestinal, e é evacuado com as fezes, os ovos, que chegam em tempo útil a alguma coleção de água doce eclodem com a luminosidade do sol liberando o miracídio.

       O miracídio nada durante algumas horas em meio líquido em busca do molusco (Biomphalaria ssp.) hospedeiro adequado para o seu desenvolvimento; no interior do molusco se desenvolve em esporocisto primário e, por reprodução assexuada dá origem a vários esporocistos secundários, que são os produtores de cercárias, no interior do molusco. As cercárias constituem a forma infectante para o homem e outros vertebrados e abandonam o molusco para o meio líquido sob estímulo luminoso e vão em busca do contato com seu hospedeiro definitivo.

           Uma vez que se estabelece o contato da cercária com a pele de seu hospedeiro vertebrado (homem) a cercária inicia o processo de penetração. A capacidade invasora das cercárias depende de um esforço mecânico de penetração e da ação química exercida pela secreção de suas glândulas. Nessa secreção encontram-se proteases, ou um complexo de enzimas que são ativas contra as glicoproteínas da pele. Entre os extratos das camadas da pele é aberto um túnel por onde penetra o corpo da cercária, que deixa para trás sua cauda destacada. A penetração demora 2 a 15 minutos, ao mesmo tempo em que as cercárias se transformam em esquistossômulos, o último estádio larvário.

         A permanência do esquistossomulo na pele limita-se a dois ou três dias, ao fim dos quais o parasita, se não foi destruído pelos mecanismos de defesa do hospedeiro, acaba por penetrar em um vaso cutâneo e é passivamente arrastado pela circulação em direção aos pulmões. Dos pulmões, os esquistossômulos vão para o coração e são enviados pela circulação geral a todas as partes do organismo. O parasita começa a se alimentar de plasma sanguíneo e migra então para a veia porta hepática para completar seu desenvolvimento e se tornar sexualmente maduro. Assim, no estado de vermes adultos, migram para as vênulas da parede intestinal, preferencialmente as vênulas do plexo hemorroidário superior e ramificações mais finas das veias mesentéricas, particularmente da mesentérica inferior. Neste local as fêmeas põem seus ovos  e todo o ciclo se reinicia.